Viva a Mãe de Deus e Nossa (Festa de N. S. Aparecida)

Prezados irmãs e irmãos

Hoje a Igreja do Brasil se reúne numa grande celebração eucarística para celebrar o mistério mais profundo de nossa fé: a salvação operada por Deus em Jesus Cristo, que nos trouxe a vida plena no seu gesto de entrega na cruz, na sua doação total de vida confirmada na sua ressurreição.

Este mistério de amor é rememorado em cada missa; é a família de Deus reunida, é o seu povo santo e pecador que busca sempre mais ser santo e menos pecador.

E no dia de hoje nossa festa tem um sentido muito especial e particular expressamos nosso amor, nossa devoção, nosso carinho à mãe de Jesus e nossa, aquela que é imagem e modelo da Igreja, a padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida.

Se cremos que Deus se encarnou em Jesus, cremos que Ele encarna seu amor numa realidade concreta: uma nação. Por isso hoje rendemos graças pela figura de Maria como também pedimos pela nossa pátria, o Brasil.

A Palavra de Deus nos apresenta a figura da mulher: na 1ª. leitura, da Rainha Ester, judia que pelas suas qualidades e presença de Deus em sua vida consegue a intervenção para o seu povo dominado.

Para nós cristãos, a verdadeira rainha é Maria, mediadora e solidária com o povo. Intercede em favor da vida.

A 2ª. leitura nos apresenta a mulher – povo de Deus que é mãe do Messias; a mulher forte que luta contra as forças do mal e que vence o dragão porque com ela está o salvador.

É a força e a coragem da Igreja nascente, perseguida, mas que não desiste de lutar para que o bem afaste o mal, para que a vida seja preservada.

Esta mulher forte é imagem da Igreja que recebe do Senhor a missão de banir o mal do mundo, na confiança de que o Messias está com ela e isso nós confirmamos em cada celebração: Ele está no meio de nós.

No Evangelho, a mãe de Jesus, mulher, aparece como aquela que está junto do Filho e é intercessora no milagre de Caná. A sua intercessão por nós é para ver a obra que Deus está realizando conosco. Maria sente-se responsável pelo que diz respeito à sua família. Portanto ela se interessa por nós, também,  seus filhos de hoje.

Maria, mulher, negra, pobre, mãe, intercessora, protetora, membro do povo de Deus, sinal da Igreja, tem com a Igreja que somos nós a tarefa de gerar e levar o Salvador ao mundo e presenciar a sua vitória.

Assim pedimos hoje proteção à Padroeira do Brasil, proteção da Pátria, marcada por dores, por pobreza, por corrupção, por desemprego e tantas situações que amarguram o coração da mãe de Jesus. Mas junto com este nosso pedido deve estar o nosso compromisso de uma vida cristã.

Deus e Maria não tem como tarefa específica resolver nossos problemas materiais. As graças materiais são sinais de que Deus nos quer bem. Na verdade ele, nos quer sempre bem. Mas nem todo benefício  material deve ser interpretado como bem querer de Deus pois muitas vezes são bens adquiridos, por  meios ilícitos, corruptos, injustos e quem os tem nem sempre está com o coração em Deus.

Pedimos graças a Deus mediante sua intercessão, mas o que pedimos, é sinal do amor que seu Filho nos dedica até morrer.

Que a liturgia de hoje nos ajude a ter sempre mais Maria no coração, como membro do povo de Deus, e exemplo de seguidora de Jesus.

Que a liturgia de hoje nos faça sentir membro do povo de Deus que tem a intercessão, a proteção, o carinho, o cuidado da mãe.

Que a liturgia de hoje nos faça mais comprometidos em buscar um país mais irmão, com vida plena para todos, sinal antecipado do Reino definitivo.

Fazer sempre e tudo o que Jesus nos diz é o caminho para fraternidade.

Que a padroeira do Brasil interceda por nós e nos faça sempre mais comprometidos com seu filho e com o nosso país.

                                                                       Campinas, 12 de outubro de 2015.

Côn. José Luís Araújo
Pároco Paróquia Divino Salvador