Surpresas de Natal

Verdadeiramente, o Natal sempre nos surpreende. Cada ano o Natal é novo, diferente, único e admirável.

Maria, ainda muito jovem é escolhida para ser a mãe de Jesus. E do anjo mensageiro recebe o anúncio: “Eis que conceberás no teu seio e darás à luz um filho… Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai” (Lc 1,31-32).

De repente, porém, Maria é surpreendida com o nascimento de uma criança, igualzinha em tudo, a qualquer recém-nascido que, aparentemente, nada tem de Deus. Em sua contemplação materna, cheia de ternura e carinho, diz para si mesma: esta carne é minha; de mim foi feita; tem os meus olhos; a forma da boca é igual à minha; se parece comigo. É filho do Altíssimo e se parece comigo? Quanta surpresa! (Cfr. Os filhos do trovão). Que trono de Davi é esse? Uma manjedoura em forma de cocho de animais? Tudo muito estranho!

O próprio José, a quem o Anjo do Senhor havia assegurado que o filho de sua mulher, Maria, tinha sido gerado pela ação do Espírito Santo, depara-se, afinal, com um filho de homem. Aliás, mais adiante, ele mesmo se apresentará como Filho do Homem! Apesar de tudo, o bom e justo José dá ao Menino o nome de Jesus, que significa: Deus salva!

Na vizinhança, pastores faziam a guarda do rebanho nos campos de Belém. De repente, brilha na escuridão da noite uma luz que os envolve por inteiro, enquanto um anjo lhes dá a Boa e surpreendente notícia: “Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador, que é o Messias, o Senhor”. (Lc 2,11). Tocando suas flautas e dançando alegremente, os pastores vão às pressas até Belém.

Oh, admirável surpresa ao encontrarem o Salvador, Messias e Senhor, no Menino envolto em faixas de pano puído, deitado numa manjedoura de animais, que, por ali perambulavam mansamente.

Por outro lado, os magos do Oriente, vindos de muito longe, percorrendo longos caminhos, vencidas as distâncias, chegam à cidade de Jerusalém e dirigem-se ao palácio do rei Herodes, perguntando pelo recém-nascido, Rei dos Judeus, cuja estrela brilhou nos céus e os guiou até ali. Herodes é tomado de surpresa e com ele fica alarmada toda a cidade de Jerusalém.

Devidamente informados pelos chefes dos sacerdotes do Templo e pelos doutores da lei, os magos retomam o caminho de Belém de Judá, iluminados, novamente, pela estrela guia e chegam  à casa onde encontram, radiantes de alegria, o Menino com sua Mãe Maria e, prostrando-se, o homenagearam. “Em seguida, abriram seus cofres e ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra” (Cfr. Mt 2)

Maria e José, de surpresa em surpresa, admirados, conservavam cuidadosamente, todos esses acontecimentos e os meditavam em seu coração (Cfr. Lc 2,19)

“Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido, conforme lhes fora dito” (Lc 2,20)

E os sábios e espertos magos voltaram para sua terra por outro caminho evitando o de Herodes. Estavam certos: Jesus é o Caminho!

Pe. José Arlindo de Nadai – Paróquia Divino Salvador