Semana Santa

Com a celebração do Domingo de Ramos iniciamos a Semana Santa. A procissão de ramos, acompanhada de cânticos e vivas, recorda a entrada de Jesus de Nazaré em Jerusalém, aclamado pelo povo como o Messias Salvador.

Jesus entra na cidade santa, montado num jumentinho, com a bandeira da paz, revestido do manto da humildade e simplicidade. Os filhos dos hebreus, com ramos de oliveira foram ao encontro do Senhor clamando: Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Paz, é o clamor de palestinos e israelenses ainda hoje em Jerusalém.

Nos dias que se seguem, as Comunidades se preparam intensamente para o Tríduo Pascal: Via Sacra, confissão individual, celebração comunitária do sacramento da reconciliação, gestos concretos e compromissos da Campanha da Fraternidade cultivar e guardar a criação (Gn 2,15), e outras devoções da piedade popular.

O ponto alto da Semana Santa, consiste no Tríduo Pascal.

Na Quinta-Feira Santa celebra-se a Ceia do Senhor, a instituição da Eucaristia, o mandamento do amor fraterno, traduzido gestualmente no rito do lava-pés que recorda o que Jesus fez, ou celebra os serviços de caridade da comunidade, Pastoral da Saúde, Vicentinos e compromissos da Campanha da Fraternidade. Ou ainda, afirma o carinho da Igreja, como tem feito o Papa Francisco, por jovens presidiários, migrantes, refugiados e até por moradores em situação de rua em Roma, ao lavar e beijar seus pés. A mesa da partilha do pão e do vinho evoca um mundo de irmãos(ãs), sem fome, sem miséria e sem exclusão de espécie alguma. Vida plena para todos.

Na Sexta-Feira Santa, nosso olhar dirige-se para o lenho da cruz, escândalo para uns e loucura para outros. É o mistério da paixão e morte de Jesus. O relato da paixão, segundo os Evangelhos, é um processo político-religioso que condena o Justo: traições, falsas testemunhas, torturas, autoridade que lava as mãos, violência, cruz e morte…

Esta realidade continua, infelizmente, no sofrimento e na dor de tantos irmãos(ãs) crucificados ainda hoje pelo mundo afora: as vítimas das guerras, da violência no campo e na cidade; a insegurança de migrantes e refugiados; crianças, idosos abandonados; doentes e desempregados…

No Sábado Santo, a Igreja permanece junto ao Sepulcro do Senhor, meditando a sua paixão e morte, esperando a ressurreição, conforme a mais antiga profissão da fé cristã. “Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1Cor 15,3-4). Maria, Mãe do Divino Salvador é a figura da Igreja que confia, ora e espera. Por isso, costuma-se meditar nas dores de Maria, na sua soledade.

A Vigília Pascal é considerada a mãe de todas as vigílias. Nela comemoramos a noite em que o Senhor ressuscitou. A ressurreição de Cristo é o fundamento da nossa fé.

A liturgia dessa noite é muito rica em símbolos: a luz do Círio Pascal! A proclamação da Páscoa – exulte o céu, alegre-se a terra e cante a Igreja o Aleluia: o Cristo Senhor ressuscitou! A água batismal pela qual fomos revestidos de Cristo e incorporados no mistério de sua ressurreição.  A Palavra de Deus proclamada nessa vigília resgata toda a história da salvação, desde a criação até a surpresa do sepulcro vazio e o grande anúncio: “Por que procurais entre os mortos aquele que vive? Ele não está aqui. Ressuscitou!” (Lc 24,1-5)

Essa noite convida-nos a sepultar tudo o que é velho e fazer emergir o novo. E trabalhar pelo projeto do Reino de Deus, participando na construção de uma sociedade justa, solidária e de paz. “A paz esteja convosco” é a saudação do Ressuscitado.

A Vigília Pascal introduz-nos, definitivamente, na aurora da Ressurreição – o Domingo de Páscoa – celebrado com grande solenidade, tão grande que se prolonga por todo o ano na celebração dominical. Domingo, Dia do Senhor. Fica conosco, Senhor! Eu estou no meio de vós.

Feliz e abençoada Páscoa, a você, leitor e aos funcionários e editores do Correio Popular.

 Pe. José Arlindo de Nadai – Paróquia Divino Salvador