Maranatha!

Vem, Senhor, vem!

As Igrejas de tradição cristã celebram, neste período que precede o Natal, o tempo do Advento. A súplica que brota do coração dos fiéis cristãos e aflora em seus lábios, é esta: Maranatha! Vem, Senhor Jesus, vem!

Vem, para o meio dos homens e mulheres de nosso tempo, tantas vezes desorientados, buscando um sentido para suas vidas, que lhes dê rumo, alegria e paz!

Vem, para reunir aqueles que estão dispersos, sem pátria, sem casa para morar, sem terra para plantar, sem um lugar para repousar seus corpos cansados, e um berço para reclinar seus filhos recém-nascidos, nem mesmo uma simples e tosca manjedoura.

Vem visitar a terra em que nasceste, hoje dividida ao meio por muros e cercas que demarcam territórios, religiões, etnias, riqueza e pobreza. “Jerusalém, Jerusalém… quantas vezes eu quis reunir seus filhos, como a ave reúne os filhotes debaixo das asas, mas você não quis” (Mt 23,37).

Vem, Senhor Jesus, vem logo para “proclamar a libertação aos presos e, aos cegos a recuperação da vista; para dar liberdade aos oprimidos e anunciar a Boa Nova aos pobres” (Lc 4,18).

Vem, para saciar a fome e a sede dos que morrem de fome e secam de sede; para acolher os migrantes e os que vivem em situação de rua, para vestir os nus e maltrapilhos; para cuidar dos doentes, idosos e abandonados e visitar os prisioneiros. Sustenta os desempregados em suas buscas e lutas. Vem, Senhor em socorro do teu povo e não tardes mais!

Vem, Senhor e toca o coração dos chefes das nações, dos líderes religiosos e dos detentores da riqueza deste mundo para que promovam a paz, a concórdia e compartilhem o pão e a justiça entre todos, superando nacionalismos isolacionistas, destruindo cercas e muros de toda ordem. “Transformarão suas espadas em arados… suas lanças em foices: não pegarão em armas uns contra os outros e não mais travarão combate” (Is 2,4).

Vem para o meio de nós, ensina-nos a respeitar os povos tradicionais da Amazônia, sua cultura, sua sabedoria milenar, sua convivência fraternal com a natureza, sua mística e espiritualidade. Abre novos caminhos para a Igreja nesse imenso território de florestas e rios…

Vem, Senhor, habitar nossas cidades – és o Filho Deus e Deus habita a cidade! Mas abre nossos olhos e coração para Te reconhecermos.

Maranatha! Em tua vinda, ao visitares as cidades, acrescenta no roteiro São Paulo –  Paraisópolis, onde foram massacrados nove jovens nestes dias. Consola suas mães. Enxuga-lhes as lágrimas. Sustenta aquela população na luta por seus direitos e vida digna.

Maranatha! Como Bom Pastor, visita também os morros da cidade maravilhosa, consola as famílias cujos filhos(as) têm sido vítimas de cruel e estúpida violência como aquelas que abateram Amarildo, Marielle e por último a menina Ágatha, nomes simbólicos entre tantas vítimas.

O Advento nos desperta à vigilância e à esperança ativas. Não sejamos nem otimistas ingênuos, nem pessimistas amargos, mas sim realistas esperançosos que o Sol da justiça um dia brilhará sobre todos os povos da terra (cf Ariano Suassuna).

Pe. José Arlindo de Nadai – Paróquia Divino Salvador