Do conflito à comunhão

Com certeza todos nós ouvimos falar, ainda quando sentávamos nos bancos escolares, durante as aulas de História, sobre a Reforma Protestante. Infelizmente, aquelas informações foram, em geral parciais e preconceituosas, de um lado e de outro, pois careciam de um juízo histórico-crítico que se pode ter hoje, por conta de sérias e aprofundadas pesquisas do lado católico e do lado luterano.

Passados 500 anos, está em curso a “Comemoração conjunta Católico-Luterana da Reforma em 2017”.

“O que aconteceu no passado não pode ser mudado, mas o que e como é lembrado, com o passar do tempo, de fato muda. Lembrar torna o passado presente. Enquanto o passado em si é inalterável, a presença do passado no presente é alterável. Na perspectiva de 2017 não se trata de contar uma história diferente, mas de contar a história diferentemente” (Do Conflito à Comunhão)

Tanto os Católicos quanto os Luteranos contam hoje sua história de uma forma nova. Em 2011 o Papa Bento XVI em sua visita ao Convento onde Martinho Lutero viveu como frade agostiniano, comentou: “O que constantemente inquietava Lutero era a pergunta: – como posso encontrar o Deus da Graça? Essa questão lhe apertava o coração e se constitui no fundamento de suas buscas teológicas e lutas interiores”.

Mais recentemente, em sua viagem à Suécia, na Catedral Luterana de Lund, em 31.01.2017, o Papa Francisco em sua homilia, em celebração ecumênica lembrou: “A experiência espiritual de Martinho Lutero interpela-nos lembrando que nada podemos fazer sem Deus”. “’Como posso ter um Deus misericordioso? ’  Na verdade, Lutero descobriu esse Deus misericordioso na Boa Nova de Jesus Cristo. Com o conceito “Só por graça divina” recorda-nos que Deus tem sempre a iniciativa”.

Aliás, quantas vezes rezamos em nossas orações litúrgicas: Senhor, que vossa graça nos preceda e nos acompanhe em nossas ações…

Por ocasião dessa visita e comemoração católico-luterana da Reforma firmou-se uma declaração conjunta, da qual destacamos, brevemente: O frutuoso diálogo ecumênico pelo qual já não somos desconhecidos e percebemos que aquilo que nos une é maior do que aquilo que nos separa. A fé comum em Jesus Cristo e o nosso Batismo exigem de nós conversão diária, graças, à qual repelimos as divergências e conflitos históricos que dificultam o ministério da reconciliação. Confessamos e lamentamos diante de Cristo que luteranos e católicos tenham ferido a unidade visível da Igreja. Rezamos pela cura de nossas feridas e das lembranças que turvam nossa visão uns dos outros. Cristo quer que sejamos um só, para que o mundo possa acreditar (cfr Jo 17,21). O modo como nos relacionamos entre nós incide sobre o nosso testemunho do Evangelho. É preciso crescer ainda mais na comunhão radicada no Batismo… Pedimos a Deus inspiração, ânimo e força para podermos continuar juntos no serviço, defendendo a dignidade e os direitos humanos, especialmente dos pobres, trabalhando pela justiça e rejeitando todas as formas de violência. Nosso serviço comum deve estender-se à criação inteira, que sofre a exploração e os efeitos duma ganância insaciável. Renovamos nosso compromisso de passar do conflito à comunhão; fazemo-lo como membros do único Corpo de Cristo, no qual estamos incorporados pelo Batismo. Radicados em Cristo e testemunhando-O, renovamos a nossa determinação de ser fiéis arautos do amor infinito de Deus por toda a humanidade.

Finalmente, saúdo e cumprimento a Comunidade Luterana de Campinas, especialmente o querido irmão Pastor Marcos Ebeling, que nos convida a participarmos de eventos comemorativos dos 500 anos da Reforma, conforme programação:

1. Exposição 500 Anos da Reforma (em banners): de 18 a 30 de junho na rua Álvares Machado, 492. Horários: 2ª a 6ª feira, das 13 às 17h; sábados e domingos das 9 às 12h. A exposição será repetida no mês de outubro;

2.  22/10:  “Comunidades Celebram o Culto da Reforma” nas dependências do Lar Luterano Belém (Rua Almirante Richard Byrd, 266).

3. 27 e 29/10:  Concerto 500 Anos da Reforma com a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas e Coral da Universidade Adventista de Engenheiro Coelho na Igreja do Liceu.

4. No mês de setembro vamos celebrar a data com as igrejas irmãs/ecumênicas.

Pe. José Arlindo de Nadai – Paróquia Divino Salvador