Nós, povo da fé, cremos firmemente e confiantes esperamos que esse nosso irmão seja acolhido pelo Senhor Ressuscitado na comunhão dos santos
28/09/2025
Quis o Senhor em sua Providência Divina que D. Gilberto exercesse o Ministério Episcopal como Pastor, junto a esta Igreja de Campinas, por longos anos – 1976 – 2004.
Foram 28 anos e mais 21 como Bispo Emérito. Quase 50 anos, junto de nós, como irmão, amigo e companheiro. Vida longa é bênção. Vida longa e fecunda é graça!
Seus pais: Salustino Lopes e Alice Pereira. Uma família de 6 filhos.
Natural de Santaluz, Bahia, nascido no dia 4 de fevereiro de 1927.
Idade: 98 anos e 6 meses de vida.
Ciências Humanas, com ênfase em Letras, Gilberto estudou no Seminário de Petrolina, junto à residência episcopal de D. Idílio José Soares, do Presbitério de Campinas.
No Seminário N. Sra. da Graça, vetusto casarão ladeado de palmeiras seculares, em Olinda, fez os cursos de Filosofia e Teologia.
Durante esse longo período de formação, Gilberto teve como mestre, na condição de reitor e professor, o padre Luís do Amaral Mousinho, figura marcante e significativa em sua vida, como reconhece, agradecido.
Muito jovem, apenas com 22 anos, foi ordenado presbítero na Catedral de Petrolina por D. Avelar Brandão Vilela no dia 4 de dezembro de 1949. Portanto, são 76 anos de padre!
A primeira nomeação do neo-sacerdote, foi para a Catedral de Petrolina.
Mais tarde, a convite de D. Luís do Amaral Mousinho, Pe. Gilberto transferiu-se para a Diocese de Ribeirão Preto, em 1955, onde trabalhou na Catedral e como Reitor do Seminário “Maria Imaculada”, Brodosqui.
Pe. Gilberto sustentou uma coluna diária no jornal diocesano – Diário de Notícias de Ribeirão Preto.
Pe. Gilberto não tinha ainda 40 anos de idade quando foi nomeado 1º. Bispo de Ipameri, Goiás, em 1966, com o desafio de organizar a Igreja particular naquele território. Sempre se referia com muito carinho à sua primeira Diocese, Ipameri.
Desde que ouviu o primeiro chamado vocacional, foi discípulo fiel de Jesus, seguindo seus passos, convivendo com Ele e procurando viver como Ele!. Daí o lema de toda sua vida, de padre e de bispo: “Anunciar o Mistério de Cristo.”
No dia 24 de dezembro de 1975, o Papa Paulo VI, nomeou D. Gilberto Arcebispo Coadjutor de D. Antonio Maria Alves de Siqueira. Nesse período foi auxiliar zeloso e fraterno de D. Antonio. Procurou visitar e conhecer as paróquias, comunidades e outros organismos da Arquidiocese. Em fevereiro de 1982, tornou-se Arcebispo Metropolitano, de Campinas, por nomeação do Papa João Paulo II.
Sobre essa nova Missão, D. Gilberto , escreveu:
Campinas cosmopolita!
A quem te adotas, ensinas
Uma história tão bonita
A gerações peregrinas.
Aqui mudou-se o caminho
No modo de trabalhar
Já não poderia sozinho
Sem com outros avançar.
Conviver com sacerdotes
Na graça sacramental
Com leigos e com seus dotes
No trabalho pastoral
Desde o início de seu pastoreio nesta Arquidiocese, D. Gilberto assumiu e incentivou a Metodologia de planejamento Participativo, na elaboração dos planos de Pastoral Orgânica, à luz do Concílio Vaticano II, das Diretrizes das Conferências Eclesiais Latino-Americanas e da CNBB, a partir da realidade local e respeitando a História centenária desta Igreja.
Esses planos sempre tiveram como projetos pastorais: a Formação, a Missão, as Comunidades Eclesiais de Base entre outros.
Os planos assumiam o Objetivo geral da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil.
Evangelizar anunciando Jesus Cristo… à luz da opção preferencial pelos pobres e participar na construção de uma sociedade justa, sinal do Reino. Incentivou e apoiou as Pastorais Sociais e a Cáritas Arquidiocesana, confirmando e participando de seus projetos. Esta caminhada pastoral foi alimentada pelo Pão da Eucaristia e iluminada pela luz da Palavra do Senhor.
Nesta perspectiva, a Revisão Ampla, através de Assembleias do povo de Deus – a modo de Sínodo – procurou respostas pastorais e evangelizadoras para os novos desafios, da complexidade do mundo urbano em rápidas e profundas transformações sociais, culturais e religiosas, numa mudança de época.
A formação dos padres, dos agentes de pastoral e dos cristãos leigos e leigas foi prioridade de nosso Bispo. Construiu os Seminários de Teologia, Filosofia e Propedêutico. E a primeira “Casa do Padre” para acolher Presbíteros idosos e enfermos. Incentivou a criação da Faculdade de Teologia, o curso de Ciências Religiosas e o Instituto de Pastoral.
Criou novas paróquias, ordenou muitos padres, diáconos e alguns bispos.
Levou avante a criação da Diocese de Amparo (1997) que integra a Província Eclesiástica de Campinas.
Verdadeiro Kairós para a Igreja de Campinas, foi o 14º. Congresso Eucarístico Nacional – Eucaristia, fonte de missão e vida solidária, – para cuja realização D. Gilberto canalizou muita energia e liderança. “Venham, venham todos para a Ceia do Senhor…”
Seguramente podemos dizer que, como Grão-Chanceler D. Gilberto empenhou-se na refundação da PUC-Campinas, sonhando com uma formação integral, humana profissional e ética de seus alunos. O Hospital Celso Pierro, PUC-Campinas é hoje uma referência de excelência nesta cidade e na região.
No Celam foi membro da Comissão de Ação Social e na CNBB, responsável pelas Pastorais Sociais. Participou da Conferência Latino-Americana de Puebla, México, 1978.
Nosso Pastor deixa-nos precioso legado; em ensinamentos escritos e publicados: Cartas Pastorais, pronunciamentos, homilias e pregações. Orações e Poesias. D. Gilberto foi grande comunicador; presença constante nas Redes Sociais; coluna semanal no “Diário do Povo” e programa diário na Rádio Cultura. Escritor e orador, sua palavra proclamada com alma, sentimento e emoção desde a cátedra desta Catedral ecoou forte e vibrante nas praças de nossa cidade: Arautos da Paz, Centro de Convivência e Estádios Esportivos. Palavra de mestre e profeta. Emoldurada por gestos largos e altivos, abraçando afetuosamente a multidão do Povo da fé.
Com certeza, D. Gilberto poderia dizer como Paulo Apóstolo escreveu aos Tessalonicenses (2,10) “Vós sois testemunhas e Deus também o é, de quão puro, justo e irrepreensível tem sido nosso modo de proceder para convosco, os fieis” o Povo da fé.
Enfim:
“Tudo é graça, Senhor, na minha vida.”
Eu te louvo, por teres revelado que teu Filho Jesus, é Jesus-Pobre, Ele é o Senhor Jesus ressuscitado”
Nós, povo da fé, cremos firmemente e confiantes esperamos que esse nosso irmão seja acolhido pelo Senhor Ressuscitado na comunhão dos santos, com o derradeiro e amoroso chamado:
“Vinde, benditos de meu Pai! Recebei a herança que Ele vos preparou… pois, eu estava com fome, com sede, era migrante, estava nu, doente e preso e vós me acolhestes e cuidastes de mim”(Cfr Mt 25,34)
Servo bom e fiel, filho querido de N. Sra. Imaculada Conceição, hoje em sua Páscoa definitiva, entra na comunhão plena do Mistério da SS. Trindade. Amém.
Pe. J. A. Nadai
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