Nosso Deus é o Deus da Vida. Vida simbolizada pela água.
13/11/2025
Sentido da festa
Comemoração da Dedicação da Catedral de Roma, dedicada ao Divino Salvador, a São João Batista e São João Evangelista. Considerada a Igreja Mãe da Diocese de Roma, cujo Bispo é o Papa, que “preside na caridade” as Igrejas particulares de todo o Mundo, as Dioceses. Historicamente foi a primeira Catedral; pólo de convergência de todas as demais; sinal e apelo de unidade e de comunhão de fé dos cristãos católicos, que por sua vez têm como referência também as Catedrais de suas Dioceses, com os respectivos Bispos.
A 1ª Leitura – Ez 47, 1-12 – apresenta-nos uma visão profética da reconstituição do Templo de Jerusalém que, fora destruído pelos Babilônios. Esse novo Templo será como uma fonte da qual vai jorrar água que formará um rio caudaloso, correndo em direção ao vale do Jordão e por onde passa faz brotar árvores frutíferas e medicinais. Inclusive os animais dessas margens hão de se beneficiar dessas águas.
Em toda Sagrada Escritura a água é símbolo recorrente de Vida: às águas da criação; a água que brota da Rocha no deserto; Jesus que é batizado nas águas do Rio Jordão; a água viva que Ele promete para a Mulher Samaritana e por fim, a água que brota de seu coração lancetado no alto da Cruz… Inclusive a água do Santo Batismo.
Nosso Deus é o Deus da Vida. Vida simbolizada pela água.
Na 2ª. Leitura – 1Cor 3,9-11.16.17 – Paulo Apóstolo lembra-nos que nós Igreja, Povo de Deus, somos uma construção, um edifício feito de pedras vivas, cuja pedra fundamental é o próprio Cristo, como alicerce… cada um de nós é importante para a harmonia, beleza e sustentação dessa obra que é de Deus, a Igreja, Povo da fé.
O Evangelho – Jo 2,13-22 – Atenção! Não podemos ficar na superfície, ao ler esta passagem do Evangelho de João que nos mostra um Jesus tomado de indignação, chicote nas mãos expulsando do Templo vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas que com seus negócios desonestos exploravam o povo, mais ainda os pobres, em benefício próprio. Quem era essa gente: os sacerdotes, levitas do Templo, o sinédrio (tribunal que mais tarde vai condenar Jesus à morte).
“Tirai tudo isso daqui”. Purifiquemos a casa de meu Pai, casa de oração transformada em mercado e comércio de exploração.
Qual o sentido desse gesto impetuoso de Jesus? A resposta está na profecia de Isaias quando fala que o Senhor abomina a hipocrisia do culto. “Estou farto dos holocaustos de carneiros e novilhos… Não gosto do sangue dos animais. Basta de ofertas inúteis… Eu desvio o olhar de suas mãos manchadas de sangue. Não quero mais ouvir suas preces”. (Is 1,10) – “O sacrifício que eu quero é acabar com as prisões injustas, pôr em liberdade os oprimidos – repartir o pão com quem tem fome, acolher os pobres, vestir os nus”… (Is 58,7)
Jesus com a expulsão dos profanadores do templo institui uma Nova Ordem: seu próprio corpo morto e ressuscitado, é o Novo Templo, e o novo culto que se presta a Deus. Culto de louvor e ação de graças que se renova e se perpetua na Celebração da Eucaristia. “Tomai e comei: Isto é o meu corpo…Tomai e bebei: Este é o cálice do meu sangue…”
A Igreja, Povo de Deus, nós, somos as pedras vivas na construção desse Novo Templo, habitado pelo Espírito Santo que em Cristo nos faz santuários de Deus. “Acaso não sabeis que sois santuários de Deus e que seu Espírito mora em vós?” (1 Cor 3,16) Reconheçamos pois nossa dignidade e respeitemos a dos outros!
Nossa Celebração deste domingo acontece quando se realiza lá em Belém do Pará, em plena Amazônia a COP 30.
Esse acontecimento reúne Povos e Nações para escutar o grito da Terra, grito que não pode ser sufocado e também nossa Casa Comum seja purificada e dela sejam expulsos todos os seus exploradores gananciosos e todo tipo de negacionismo.
Que as águas dos rios não sejam poluídas, as florestas preservadas, o ar que respiramos seja puro, e os alimentos saborosos e saudáveis, sem contaminação alguma.
Por fim, quando ouvimos a Palavra do Senhor – “vós sois santuários de Deus”, como nos calar diante da tragédia de 121 mortos no Rio de Janeiro. “Quem destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá…” (1Cor 3,17)
Pe. Nadai
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