Preparai o caminho do Senhor Nesse domingo temos a companhia de dois grandes profetas: Isaías (700aC) e João Batista, contemporâneo de Jesus e seu parente. Isaías anuncia a esperança de um Reino de justiça e paz… que será inaugurado por um descendente da família de Davi. João Batista faz um apelo veemente, convocando o povo […]
11/12/2025
Preparai o caminho do Senhor
Nesse domingo temos a companhia de dois grandes profetas: Isaías (700aC) e João Batista, contemporâneo de Jesus e seu parente. Isaías anuncia a esperança de um Reino de justiça e paz… que será inaugurado por um descendente da família de Davi. João Batista faz um apelo veemente, convocando o povo a preparar o caminho do Senhor…
O Apóstolo Paulo exorta-nos à constância e firmeza na esperança, e que cultivemos a unidade com todos os irmãos de fé… acolhendo-nos fraternalmente.
A 1ª. Leitura (Is 11,7-10) recorda ao povo, vivendo em situação de terra arrasada, a promessa de que o Senhor fará brotar, do tronco velho, meio apodrecido (a casa de Davi) um ramo viçoso do qual nascerá uma flor… sinal de vida e esperança renovada.
Naquele tempo, nova aliança do Senhor com o povo será feita; alguns sinais se seguirão: o muro que separava os povos será destruído e as nações se assentarão à mesma mesa para compartilhar o pão e beber do mesmo cálice! Utopia do Reino de Deus…
Naquele tempo até mesmo animais domésticos e selvagens comerão na mesma pastagem e beberão das águas do mesmo rio. Lobo e cordeiro, bezerro e leão, boi e leopardo viverão em harmonia lado a lado. Até mesmo as crianças brincarão junto ao ninho das serpentes, sem nenhum risco. Então serão estabelecidas a harmonia e concórdia do paraíso perdido.
Se tivermos bons olhos para ver, sabedoria e inteligência para discernir, coração puro para sentir, perceberemos os sinais do Reino de Deus, inaugurado por Jesus, e levado adiante por seus discípulos e toda gente de boa vontade e reta consciência. A presença do Reino a modo de luz nas trevas, fermenta na massa, sal da terra, semente no chão…
No Evangelho de hoje (Mt 3,1-12) vemos em primeiro plano aparecer a figura de João Batista, cuja imagem, por si só, é forte provocação, por conta de sua austeridade de vida que transparecia em suas vestimentas, comida e lugar onde vivia (deserto).
Esse modo de vida contrastava, fortemente, com o dos fariseus, saduceus e da casta sacerdotal que viviam em palácios, banqueteavam-se às custas do povo da fé, da tradição bíblica…
Já no seu nascimento, ao receber o nome de João, seu pai Zacarias o apresenta:
“E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque irás à frente do Senhor, preparando seus caminhos, dando a conhecer a seu povo a Salvação, com o perdão dos pecados, graças ao coração misericordioso de nosso Deus que faz brilhar a luz para iluminar os que estão nas trevas, na sombra da morte e dirige nossos passos no caminho da paz” (Lc 1,76).
Ora, o Evangelho que nos foi proclamado, apresenta João pregando no deserto da Judeia, conforme anunciara o pai Zacarias!
Em sua exortação apostólica o Papa Leão XIV denuncia “as elites ricas que vivem numa bolha confortável e luxuosa, em um mundo à parte que ignora a vida de milhões de pessoas que morrem de fome e vivem em condições indignas.
Denuncia a acumulação de riquezas a todo custo ainda que seja pela exploração, apoiados e apoiando sistemas político-econômicos injustos e iníquos (Dilexi-te).
São de nossos dias os dados do IBGE (censo) 20 milhões de pessoas morando nos territórios de favelas… 12 mil favelas, exatamente nos estados mais ricos da Federação: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Preparar o caminho do Senhor é participar na luta pela construção de sociedades mais justas, solidárias, de amizade social e de paz, sinais – setas – que apontam para o Reino de Deus.
Lembremo-nos do poema “No meio do Caminho” de Carlos Drumond de Andrade:
“No meio do caminho tinha uma pedra.
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra…
Pedras: autossuficiência (egoísmo), falsa segurança (eu me basto a mim mesmo), indiferença (diante da dor, sofrimento, tragédia, etc.)
Padre José A. de Nadai
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