Além da Praça, o que ficou?

á se passaram dez anos da realização do 14º Congresso Eucarístico Nacional (CEN) em Campinas, de 19 a 22 de julho de 2001.

 

Foi uma decisão histórica e corajosa do Arcebispo D. Gilberto Pereira Lopes. Com este desafio ele conseguiu sensibilizar e mobilizar toda a Igreja local. Convocou sua Igreja e enviou-a em missão, através de um processo pedagógico de comunhão, participação e corresponsabilidade. Até mesmo a sociedade civil, de diversos modos, abraçou a causa.

 

Lembro-me, com saudades, do falecido prefeito Toninho! Assim, na minha avaliação, o maior e melhor fruto do CEN, não foi o evento em si, mas todo o processo de conscientização e formação que o precedeu, despertando em uns o sentimento de pertença à Igreja e, em outros, estreitando os vínculos de comunhão.

 

Lá está a Praça Arautos da Paz, para sempre a praça do Congresso, com seu marco e sua cruz.

 

Milhares de fiéis vieram das cidades que formam a Arquidiocese de Campinas e também de todo o país, juntamente com seus bispos, padres, diáconos e religiosos(as) que ocuparam a praça para as grandes e solenes celebrações, animadas por um coral de 300 vozes, músicos, cantores e um corpo de coreografia e dança.

 

Praça bonita é praça cheia de Povo. Praça vazia não tem graça. Naqueles dias aconteceu o encontro na praça, do povo e da Graça.

 

Não dá para medir os frutos do CEN, pois, pertencem à ordem espiritual e transcendente. Mas, certamente, a Palavra proclamada na praça terá ressoado nos corações e qual semente em terra boa, germinou e frutificou! Deus é quem sabe!

 

O pão e o vinho consagrados e partilhados sob as duas espécies, fizeram aflorar a confiança que já possuímos, mas ainda não plenamente, a comunhão com o Senhor e com nossos irmãos(ãs) na fé.

 

A Ceia do Senhor, a Eucaristia é figura e profecia da feliz comunhão do Povo de Deus no seu Reino definitivo.

 

Todos são convidados para esta mesa. Ninguém é excluído. É a reunião da família em torno da mesa do Abbá-Pai que acolhe a todos os filhos com carinho e ternura.

 

O CEN recordou-nos, em profundidade que Deus está lá onde acontece a partilha. “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Lc 9,13). Comunhão sem compromisso solidário e fraterno é vazia de sentido.

 

Não dá para estender as mãos para receber o pão da Vida e cruzar os braços diante do desafio da vida de tantas pessoas e famílias que vivem na miséria, excluídas dos bens da terra, da produção, da cultura, do lazer e até dos serviços religiosos.

Estamos às vésperas da Solenidade de Corpus Christi, em 23 de junho, quando recordaremos os 10 anos do CEN.

 

Ouviremos, alegres, o convite do Senhor: “Venham, venham todos para a Ceia do Senhor! Casa iluminada, mesa preparada com paz e amor. Porta sempre aberta; Pai amigo, aguardando acolhedor… A Eucaristia é festa! Como não nos alegrar?”

 

Pe. José Arlindo de Nadai, Pároco da Paróquia Divino Salvador, secretário de Comunicação e porta-voz oficial da Arquidiocese de Campinas