

26 de Setembro de 2007.
“Torre de Babel” (Gn 11,1-9).
Entre os mitos mais conhecidos na antiguidade, as narrativas do Dilúvio e a Torre de Babel tinham a função de apresentar o poder das divindades sob o comando de forças cósmicas totalmente incontroláveis. O jogo do poder era, é claro, mostrar a sutileza do exercício desse poder divino na prática comandada pelo império e seus representantes legais, seja na ordem política, na figura do rei-soberano, seja na ordem religiosa, nas figuras dos sacerdotes, adivinhos e magos.
Assim, a grande Torre (Gn11,1-9) torna-se um magnífico símbolo do poder sabiamente captado pelos escribas da Bíblia adaptado aos propósitos éticos, morais e religiosos do povo de Israel. Milton SHWANTES chama, por exemplo, Gn 6-9 de um trabalho a partir de “elementos culturais importados” (p. 60).
Ele continua, e em relação a Babel, ele afirma:
“A função do culto é manter o firmamento [era o império que se apresentava com garantidor do firmamento], acalmando as divindades com templos e sacrifícios. As torres e as zigurates têm esta função precisa: levar os sacrifícios para bem perto das divindades do céu, sol e lua” (p. 62).
A “Torre de Babel” (Gn 11,1-9) remete ao período no qual o povo judeu viveu na Babilônia durante o Exílio. Babel = Babilônia. O Novo Testamento refletiu, releu e interpretou esse episódio transformando-o na narrativa do “Pentecostes” (At 2,1-13). Comparar
Reflexão final:
O que as narrativas do Dilúvio, Babel e Pentecostes têm em comum?
A leitura-interpretação de Lucas sobre o episódio de Babel com a finalidade de transformá-lo na narrativa do “Pentecostes” (At 2,1-13).
Pentecostes: Da Escritura à Tradição.
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Ex 19,16ss.
“16Ao amanhecer do terceiro dia, houve trovões, relâmpagos e uma espessa nuvem sobre a montanha, um clamor muito forte de trombeta; e o povo que estava no acampamento pôs-se a tremer. 17 Moisés fez o povo sair do acampamento ao encontro de Deus, e puseram-se ao pé da montanha. 18 Toda a montanha do Sinai fumegava, porque o senhor descera sobre ela no fogo; a sua fumaça subiu como a fumaça de uma fornalha, e toda a montanha tremia violentamente [...]19 Moisés falava e Deus lhe respondia no trovão”. |
Joel 3,1ss (=At
2,17s).
“1Derramarei o meu espírito sobre toda carne. Vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos anciãos terão sonhos, vossos jovens terão visões. 2Mesmo sobre os escravos e sobre as escravas, naqueles dias, derramarei o meu espírito. Colocarei sinais nos céus e na terra, sangue, fogo e colunas de fumaça [...] 5Então, todo aquele que invocar o nome de Iahweh, será salvo. Porque no monte Sião haverá salvação, como Iahweh falou...”. |
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Gn 11,1ss.
“1Todo o mundo se servia de uma mesma língua e das mesmas palavras [...] 3 Disseram um ao outro:... ‘Vinde!... Construamos uma cidade e uma torre cujo ápice penetre nos céus! Façamo-nos um monte e não sejamos dispersos sobre toda a terra!’. 5Ora, Iahweh desceu para ver a cidade e a torre que os homens tinham construído. 6E Iahweh disse: ‘Eis que todos constituem um só povo e falam uma só língua. Isso é o começo de suas iniciativas! Agora, nenhum desígnio será irrealizável para eles. 7Vinde! Desçamos! Confundamos a sua linguagem para que não mais se entendam uns aos outros’. 8Iahweh os dispersou dali por toda a face da terra, e eles cessaram de construir a cidade. 9Deu-se-lhe por isso o nome de Babel, pois foi lá que Iahweh confundiu a linguagem de todos os habitantes da terra e foi lá que ele os dispersou sobre toda a face da terra”. |
At 2,1ss.
“1Tendo-se completado o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2De repente, veio do céu um ruído como o agitar-se de um vendaval impetuoso, que encheu toda a casa onde se encontravam. 3 Apareceram-lhes, então, línguas como de fogo... 4E todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia se exprimissem. 5 Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos, vindos de todas as nações que há debaixo do céu. 6Com o ruído que se produziu a multidão ocorreu e ficou perplexa, pois cada qual os ouvia falar em seu próprio idioma”. |
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Nas tradições judaica e cristã o Espírito Santo emerge associado ao “Dom da Profecia”, à Palavra (“Dom da Tora”). Os judeus O celebram na festa de Shavuot, pano de fundo usado pelo escritor de Atos para inserir o Pentecostes cristão.
Shavuot é celebrado 50 dias após a Páscoa, e tem suas origens no ambiente do campo. Trata-se, portanto, de uma festa “agrícola”.
A narrativa de Atos 2,1ss pretende, através de releitura da Escritura, resgatar os novos significados da festa de SHAVUOT. Mas, seu núcleo central deve ser buscado na antiga tradição judaica, associada ao “Dom da Tora”, relembrando a manifestação de Deus ao povo de Israel na Aliança do “Sinai” (Ex 19-20).
É improvável que a narrativa de Atos 2 quisesse falar do “Espírito” com o intuito de salientar sua substituição pela “Tora”
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Os escritores serviram-se da Escritura como fonte criadora e inesgotável para falar da vida. Nas narrativas sobre “Noé” (Gn 6,9ss) apontam um começo dominado pelo desastre (Dilúvio), e conclui com outro desastre (Torre de Babel). Uma rápida investigação dessas e outras narrativas bíblicas sob o impulso da tradição, verifica-se que a linguagem da simbologia é que sobressai. Observe alguns passos:
1) Deus ordena a Noé a construção de uma “Arca” (=Teva, em hebraico). Por que? Porque, diz o texto: “A terra estava cheia de corrupção diante de Deus” (Gn 6,12). A palavra Teva, antes de ser traduzida literalmente por “arca”, significa “palavra”. Noé é salvo de um mundo violento que impera na história humana. A “arca” simboliza o espaço “único”, onde a “palavra de Deus” (teva) prevalecerá.
2) Torre de Babel (Gn 11) significa o outro extremo do desastre universal, onde a palavra se tornou a principal causa de “confusão”, levando à desunião os povos. Na origem dessa ‘catástrofe’ humana encontra-se a perda do dom da “comunicação”.
3) Noé constrói a Teva (arca), mas caberá a Moisés transmitir a Torah viva a partir do encontro que teve com Deus no Sinai. O cumprimento da promessa depende da salvação do “menino Moisés”, o qual, após ser colocado num “cesto” de junco (=Teva), foi milagrosamente tirado das águas! A tradição de Israel entende que Arca significa um forte apelo simbólico capaz de interligar a “Arca de Noé” à “Palavra revelada a Moisés no Sinai”. Tanto Noé quanto Moisés fazem da teva um meio da “redenção”, porque ambos tiveram experiência pessoal com a “ARCA” (Palavra):
- A narrativa do Gênesis sobre Noé: “Faze uma arca (TEVA) de madeira resinosa (Gn 6,14);“Entra na arca (TEVA), tu e toda a tua família, porque és o único justo que vejo diante de mim no meio desta geração” (Gn 7,1). O texto em hebraico não diz que Noé construiu uma enorme embarcação, ou navio, mas simplesmente a teva, ‘comparável’ ao “cesto” (teva) que salvou Moisés.
- A narrativa do Êxodo sobre o menino Moisés: “E como não pudesse mais escondê-lo, tomou um cesto (TEVA)... colocou dentro a criança e a expôs à beira do Rio” (Ex 2,3).
- A Escritura quer com isso apontar que os momentos de paz só serão garantidos quando a humanidade viver sob o domínio da “Arca” (Noé e Moisés), ou melhor, sob o domínio da Palavra.
4) Para o autor de Atos, a “palavra” traz como garantia a continuidade da comunidade de fé. Pentecostes passa a ser um momento único de memória e revelação com um novo sentido relido a partir do evento do Sinai. A descida do “Espírito” é a manifestação universal da palavra, perdida na Torre de Babel, mas agora recuperada para salvar o universo de outras catástrofes (Dom da Comunicação).
Anexos (textos do antigo oriente).
Os textos abaixo são de A Criação e o Dilúvio segundo os Textos do Oriente Médio Antigo, DOCUMENTO DO MUNDO DA BÍBLIA – 7, Paulinas, 1990 (deve ser escrito em LINHAS).
Da 12o. Tabuinha da epopéia de Guilgamesh.
“Naquele dia, aquele dia longínquo, naquela noite, aquela noite distante, naquele ano, aquele ano remoto, neste dia de antanho, quando o que era necessário apareceu, neste dia de antanho, quanto o que era necessário foi feito com cuidado, como convinha; quando o pão foi consumido nas casas da região, quando se atiçou o fogo nos fornos, quando o céu distanciou-se da terra, quando a terra afastou-se do céu, quando o nome da humanidade foi estabelecido; quando o deus Na dominou o céu, quando o deus Enlil dominou a terra, e ofereceu-a como dote no País à deusa Ereshkigal; quando ele foi embarcado, quando o Pai foi embarcado para o País, quando Enki foi embarcado para o País.(...)”.
Poema acádico-babilônico da criação.
Tabuinha 1: “Quando no alto o céu não se nomeava ainda e embaixo a terra firme não recebera nome, foi Apsu, o iniciante, que os gerou, a causal Tiamat que a todos deu a luz; como suas águas se confundiam, nenhuma morada divina fora construída, nenhum canavial tinha ainda desaparecido. Quando nenhum dos deuses começara a existir, e coisa alguma tivesse recebido nome, nenhum destino fora determinado, em seu seio foram então criados”.
*** Este relato pode ser datado, por alguns, do séc. XIV aC.
Tabuinha IV: “Voltou atrás em direção a Tiamat que ele havia capturado. O Senhor destruiu Tiamat e, com sua massa inexorável, despedaçou-lhe o crânio; seccionou as artérias de seu sangue e deixou que o vento do norte o levasse para lugares desconhecidos. Vendo tal gesto, seus pais se alegraram, rejubilaram; e a ele ofereceram dons e presentes. Tendo-se acalmado, o Senhor examinou seu cadáver; quer dividir o monstro, formar algo engenhoso; ele a cortou pelo meio, como é em dois cortado um peixe na secagem, dispôs uma metade como céu, em forma de abóbada; esticou a pele, instalou guardas, confiou-lhes a missão de não deixar sair suas águas”.
Texto acádico de Atra-hasis sobre a formação do homem (p. 32ss):
Tabuinha I: “Quando os deuses tinham o papel do homem, carregavam o cesto; o cesto dos deuses era grande e a tarefa, pesada. Os grandes Anunnaku, o grupo dos sete, queriam encarregar os Igigu da tarefa. Anu, seu pai, o rei, seu conselheiro, o destemido Enlil, seu arauto Nimurta, seu comissário Ennugi seguraram o copo, tiraram a sorte, repartiram os deuses. Anu subiu ao céu; o... tomou a terra (as barreiras), as profundezas do mar foram entregues a Enki, o príncipe. [Depois que Anu] subiu ao céu, [e os deuses, aqueles] do Apsu desceram; [os anunnaku], os do céu, impuseram a [tarefa] aos Igigu. [Os deuses] puseram-se a cavar [cursos de água], [abriram canais], providência vital para a região; [os Igigu] puseram-se a escavar [cursos de água], [abriram canais], providência vital para a região. [Os deuses escavaram] o rio Tigre [e o Eufrates] em seguida.... [Eles contaram os anos] de servidão; [...] O grande cerrado de juncos. Eles contaram os anos de servidão; [Os Igigu, durante 25]00 anos, suportaram, noite e dia um excessivo e [pesado] trabalho. Eles se queixam e acusam, murmuram contra a escavação: ‘Vamos procurar nosso [vigilante (?)] o arauto, que ele nos descarregue de nossa pesada tarefa; [o Senhor], o conselheiro dos deuses, o destemido, vinde, retiremo-lo de seu trono; [Enlil], o conselheiro dos deuses, o destemido, vinde, retiremo-lo de seu trono!”....... Agora, convocai para o combate, para a batalha; vamos juntar-nos à multidão. Os deuses ouviram suas palavras; atiraram ao fogo suas ferramentas, puseram fogo em suas enxadas e incendiaram seus cestos. Uniram uns aos outros, e foram até a porta do santuário do destemido Enlil. Já caíra a noite, era o meio da vigília; a casa está cercada, o deus o ignora; já caíra a noite, era o meio da vigília, o Ekur está cercado, Enlil não o sabe!....–continua- “.
“Ea [abriu] a boca e dirigiu-se aos deuses [seus irmãos]: ‘De que nós os acusaríamos? Pesado é seu trabalho, [grande o seu tormento]. Cada dia a terra [...] o sinal de alarme [...] ‘Ela lá está, Belet-ili, a matriz; que a matriz venha a parir, que ela modele e que o homem carregue o cesto do deus!’ Eles chamaram a deusa, interrogaram a parteira dos deuses, a prudente Mami: ‘Serás tu a matriz formadora da humanidade; forme o lullu, que ele suporte o jugo; que ele suporte o jugo que é a obra de Enlil; que o homem carregue o cesto do deus!’ Nintu abriu a boca e dirigiu-se aos grandes deuses: “Não é só a mim que compete operar; é como Enki que a obra está por se fazer; é ele que tudo purifica; dê-me ele a argila e eu, eu operarei’. Enki abriu a boca e dirigiu-se aos grandes deuses: ‘No primeiro dia do mês, no sete e no quinze, eu quero organizar uma purificação, um banho. Que se abata um determinado deus e que os deuses se purifiquem pela imersão. À sua carne e ao seu sangue que Nintu misture e argila, que parte do deus e parte do homem sejam misturadas juntos na argila! Vamos, ouçamos o tambor para sempre! Que da carne do deus haja um espírito; que dê um sinal de si aos vivos e para impedir o esquecimento, que haja um espírito!’ ‘Sim’, responderam na assembléia os grandes Anunnaku que se incumbem dos destinos. No primeiro dia do mês, no sete e no quinze ele organizou uma purificação, um banho. Abateram em sua assembléia. Wê, um deus que possuía a razão; Á sua carne e ao seu sangue Nintu misturou a argila; [...] para sempre! Da carne do deus houve um espírito; deu sinal de si aos vivos e, para impedir o esquecimento, surgiu um espírito; após misturar esta argila, ela chamou os Anunna, os grandes deuses. Os Igigu, os grandes deuses, cuspiram na argila. Mami abriu a boca e dirigiu-se aos grandes deuses: ‘Vós me ordenastes uma obra e eu a cumpri; vós abatestes um deus com sua razão; retirei vosso pesado trabalho, impus ao homem vosso cesto. Presenteastes com gritos a humanidade; eu abri a argola de ferro (?), estabeleci a liberdade!’ Quando ouviram o que ela lhes dizia, correram e beijaram seus pés: ‘Antes, nós te chamávamos Mami; agora, seja teu nome: Senhora de todos os deuses!” (pp.35-7).
Eles entraram na casa do destino, o príncipe Ea, a prudente Mama. As matrizes, uma vez reunidas, pisoteiam a argila diante dela. Ela profere ininterruptamente a encantação que Ea, sentado diante dela, a faz repetir. Quando ela terminou sua encantação, cuspiu em sua argila, desprendeu catorze torrões; colocou sete torrões à direita, colocou sete tijolos entre eles. Tirou para ela o facão do pântano que corta o cordão umbilical; chamou as prudentes, as sábias, sete e sete matrizes. Sete fizeram com arte, homens, sete fizeram com arte, mulheres. Fizeram novos enxadões e novas enxadas, fizeram grandes aterros de canais para (satisfazer) a fome do povo e alimento dos deuses.
POEMA BABILÔNICO DA CRIAÇÃO (41)
Marduk, ao ouvir o que diziam os deuses, sente vontade de formar algo engenhoso. Fala a Ea nestes termos e dá-lhe, como conselho,o que meditou em seu coração: “Quero coagular o sangue e fazer do osso um ser; quero erigir o lullu e que seu nome seja homem; quero formar o lullu homem; que eles sejam encarregados das tarefas dos deuses e que eles descansem. Quero modificar a organização dos deuses e torna-la engenhosa; que sejam honrados juntos, mas que sejam repartidos em dois”. Respondendo-lhe, Ea fala-lhe nestes termos, enquanto o repouso dos deuses modifica-lhe os planos: “Que me seja entregue um de seus irmãos; que ele seja destruído e que as pessoas sejam moldadas; que se reúnam aqui os grandes deuses que o culpado seja libertado e que eles sejam confirmados”. Marduk tendo reunido os grandes deuses, ordena com bondade e dá instruções; os deuses ficam atentos, ouvindo o que sai de sua boca. O rei fala aos Anunnaku nestes termos: “Que vossa proclamação seja verdadeira! Digam-me palavras verídicas: quem foi aquele que provocou o combate, que fez Tiamat revoltar-se e preparar a batalha? Que me seja entregue aquele que provocou o combate; eu lhe farei carragar sua punição; permanecerei descansando”. Os Igigu, os grandes deuses lhe responderam, a ele Lugaldimmerankia, o conselheiro dos deuses, seu senhor: “Foi Kingu quem provocou o combate, que revoltou Tiamat e organiza a batalha!” Tendo-o capturado, trouxeram-no à presença de Ea; impuseram-lhe o castigo e cortaram-lhe o sangue; de seu sangue, ele formou a humanidade, ele (lhe) impôs a tarefa dos deuses e liberou os deuses. Após Ea, o sábio ter formado a humanidade, ela (lhe) impôs a tarefa dos deuses – esta obra não é para ser compreendida; foi graças à engenhosidade de Marduk que Mudimmud formou! – Marduk o rei dos deuses, repartiu os Anunnaku, eles todos, no alto e no baixo.
TEXTO BILÍNGUE DE ASSUR (43)
Depois de fundidos juntos, o céu se afastou da terra, e as deusas mães vieram à existência, depois de a terra ser colocada, depois de a terra ter sido feita, depois de terem eles fixado as normas do céu e da terra, depois de, para regularizar riachos e valetas, terem fixado as margens do Tigre e do Eufrates, An, Enlil, Utu, Enki, os grandes deuses, os Anunna, os grandes deuses, tomaram lugar no pódio majestoso que inspira respeito e discutiram entre eles. Depois de terem eles fixado as normas do céu e da terra, depois de, para regularizar riachos e valetas, terem fixado as margens do Tigre e do Eufrates, (Enlil declarou:) “Que ides fazer, que ides formar? Anunna, grande deus, que ides fazer, que ides formar?” Os grandes deuses que ali estavam, os Anunna que determinam os destinos, os dois (grupos), responderam a Enlil: A Uzumua, a Duranki; destruí os deuses Allá; que seu sangue produza a humanidade; que o árduo trabalhos dos deuses se torne seu árduo trabalho!” Para, perpetuamente, fixar a fronteira, colocar em suas mãos a enxada e o cesto, ó casa dos grandes deuses feita para um pódio majestoso, para delimitar campo a campo, para, perpetuamente, fixar a fronteira, regularizar os riachos, fixar a fronteira,... fazer crescer as plantas,... as chuvas, fixar a fronteira, acumular montes de sementes (...) frutificar os campos de Anunna, aumentar a abundância no país, tornar perfeitas as festas dos deuses, derramar água fresca em libação, ó imensa morada dos deuses, feita para um pódio majestoso,... para que forme bem, como o grão por si mesmo fora da terra, perito após perito, campônio após campônio, aquilo que é coisa tão imutável quanto uma estrela estável nos céus, para tornar perfeitas as festas dos deuses, dia e noite, An, Enlil, Enki, Ninmah, os grandes deuses, prescreveram, eles próprios grandes normas.”
Na Epopéia de Atra-Hasis o homem faz parte de um universo caótico de submissão às divindades. O homem se torna súdito e escravo dos deuses, os quais o manipulam segundo seu prazer.
Jardim – Paraíso.
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Gênesis 2,8-17. |
Mitologia Suméria.
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“8Iahweh Deus plantou um jardim em Éden, no oriente, e aí colocou o homem que modelara. 9Iahweh Deus fez crescer do solo toda espécie de árvores formosas de ver e boas de comer, e a árvore da vida (símbolo da imortalidade) no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal. 10Um rio saía de Éden para regar o jardim e de lá se dividia formando quatro braço... 14O terceiro rio chama-se Tigre: corre pelo oriente da Assíria. O quarto rio é o Eufrates. 15Iahweh Deus tomou o homem e o colocou no jardim de Éden para o cultivar e o guardar”. |
“Dilmun é um lugar puro, Dilmun é um lugar limpo; Dilmun é um lugar brilhante... Em Dilmun não se ouve a voz do corvo, nem o grito do milhafre (?); o leão não mata, o lobo não ataca o cordeiro; é desconhecido o cão devorador de cabritos, é desconhecido o javali (?), devorador de cereais... O doente dos olhos não diz: meus olhos estão doendo; O que está com dor de cabeça não diz: a minha cabeça está doendo; a anciã não diz: eu sou uma velha; o ancião não diz: eu sou um velho. O cantor não ergue nenhuma queixa, perto da cidade ele não faz ouvir nenhum lamento”. |
Bibliografia.
1)
– Ackroyd, Peter, “The
Ancient Traditions of Israel”, in The People of the Old Testament,
London, Christophers, 1959, pp. 165-177.
2) – Weathcote, A.W., “In Earliest Times”, in Israel to the Time of Solomon, London, James Clark & Co. Limited, pp. 45-54.
Bibliografia básica.
Coordenador: Prof. Donizete Scardelai.